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O comunitarismo, próprio dos povos do interior, foi também uma realidade no Soito e as pessoas sentiam-se mais próximas, dependentes e confiantes umas nas outras.
Este tipo de vivência que durou séculos não tem hoje paralelo no comportamento das gentes, que talvez mais abastadas, não precisam de nada nem de ninguém e na prática, salvo raras excepções, vivem orgulhosamente sós.
Foram vários os factores que conduziram à actual situação, sendo o mais marcante aquele que adveio após a Primavera das emoções e da esperança incontida; a revolução do 25 de Abril, que quase de modo imperceptível trouxe a divisão e a discórdia aos povos, situações a que o Soito se não furtou.
Fundaram-se os partidos, cada um tomou o seu como é normal, mas a intolerância ideológica e a impreparação moral para aceitar a democracia, aflorou e traduziu-se na desconfiança, num virar de costas das pessoas umas para com as outras e aquilo que devia servir de motivo de alegria, que era a liberdade, transformou-se numa utopia, já que ficou ainda mais condicionada nas relações inter pessoais pela simples razão da diferença de cores partidárias ou de opções de voto diferentes que ainda hoje, aquando de eleições locais, continuam a ser objecto de murmúrios e de afirmações falsas como se cada um não fosse livre de optar pelo que bem entende e tivesse que obedecer aos caprichos ou aos interesses de outrem como um qualquer “Sancho Pança” que segue o seu amo.
As pessoas não são totalmente livres para “se servirem do seu próprio entendimento" devido a um elevado número de pressões externas; psicológicas, económicas e religiosas que condicionam a maioria dos comportamentos, no todo ou em parte.
O conceito de comunidade quase desapareceu e o direito do homem à liberdade está a ser pago por um elevado preço emocional e psicológico que tem vindo a causar danos em toda a estrutura social do povo que definha porque dividido.
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