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O reconhecido historiador Pinharanda Gomes, em História da Diocese da Guarda pagina 387 diz, citando Origens e Formação das Misericórdias Portuguesas de Fernando da Silva Correia, que a Misericórdia do Soito seria de fundação posterior a 1897 tal como as de Alfaiates, Almeida, Belmonte, Castelo Novo, e Manteigas. Não queremos retirar mérito a estes dois grandes historiadores, altamente conceituados, que escreveram certamente baseados nos dados que possuíam, o certo é que a história faz-se todos os dias, nunca está completa, há sempre novas verdades que surgem e que trazem luz a situações até então obscuras.
Até hoje, que se saiba, essas informações não foram contestadas, por falta de argumentos validos e credíveis, porém recentemente, alguém ao abrir uma velha arca a que pouca atenção era prestada, verificou que no seu interior se encontravam vários livros já bastante deteriorados e que estiveram quase em risco de serem queimados, valeu a chamada de atenção ao Sr. Padre António Domingos para o achado, este verificou a sua origem, a qualidade do seu conteúdo, e tentou recuperar e conservar o possível deste espólio.
Estes documentos ora encontrados, que despoletaram o meu interesse por saber mais acerca do Soito e da sua Misericórdia, podem não ser para a maioria dos cidadãos, mais que simples papel, mas a verdade é que neles podemos recordar muitos nomes dos nossos antepassados, talvez até saber quais as funções que em determinada época, da vida exerceram, como viveram, como escreveram, e qual o contributo pessoal que deram à Sociedade do seu tempo, muito em especial à causa da Misericórdia.
Foram também esses documentos que me deram animo para recuar no tempo e investigar o possível no pouco existente sobre o Soito e a sua Misericórdia, quer ao nível do Arquivo Paroquial, do Arquivo Distrital e do próprio Instituto dos Arquivos Nacionais.
Também podemos apreciar, em tais documentos, vários tipos de caligrafia, como se fossem desenhos, tal a maneira primorosa, talvez artística com que foram executados o que nos deixa na incerteza de saber se acaso os seus autores não teriam frequentado alguma escola semelhante ou precursora das Escolas das Belas Artes de hoje. Estes exemplos devem servir de lição a todos nós, hoje, que apenas usamos as maquinas e caminhamos para o esquecimento da escrita pessoal.
Entre estes documentos encontram-se Actas, Compromissos e Contas da SCMS, estávamos perante um pedaço da história do Soito que embora relativamente recente, pode trazer um pouco de luz a todo este processo.
Os documentos mais antigos datam de 1846, é nesta data: 15 de Julho de 1847 que, referentes a 1846/47, Manuel Vaz de Carvalho dá contas a Manuel Martins Furriel, (ambos com a função de tesoureiros: um que sai e outro que entra) num total de 37.490 e 36.500 reis, respectivamente receita e despesa.

Pinturas
Não podemos situar a fundação da Misericórdia do Soito nessa data, nem determinar outra sob pena de errarmos, é porém verdade que se o Hospital, edifício que sofreu reparações consecutivas desde 1856 que foi no valor de1400 reis, 1861 6.440 em 1867 4.240 em 1873 20.000, porém, nesta data refere-se “à compostura da casa onde vivem os pobres denominada hospital” o que significa que à época já não existia como tal,
o Calvário, os Nichos, a capela da Misericórdia e porventura outras obras de vulto eram sua propriedade, e se tanto quanto sabemos o Calvário e a capela da Misericórdia já existiam em meados do século XVIII, pois já nesta data o Padre Hipólito Tavares referia que a Misericórdia do Soito tinha capela própria e como renda a quantia de 20.000 reis, enquanto à do Sabugal, na mesma altura, eram atribuídos 100.000 reis e estava sediada na Igreja de São Miguel.
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