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    INTRODUÇÃO por Carlos Alberto da Conceição
   

Ao aceitar o encargo de escrever algo sobre o Soito estava bem ciente das responsabilidades com que iria arcar, sabia também que a falta de conhecimentos seria um entrave à feitura de uma tal obra, apenas aceitei o desafio mercê da vontade de divulgar e promover mais esta terra, que também é minha, e porque daí também receberia, talvez, uma mais valia cultural, através do acesso a informações que até então, ou não me tinham interessado sobremaneira, ou que provavelmente de outra forma me estariam vedadas.
Este tempo de pesquisa, durante o qual me pude debruçar sobre as janelas do passado, tive como poucos o privilégio de conhecer documentos inéditos acerca do Soito e da sua Misericórdia que me deram um prazer acrescido e uma sensação de orgulho pelo passado grande que o Soito tem vindo a viver há muito mais do que seis séculos.
Escrever história não é exactamente o mesmo que escrever uns quaisquer artigos de opinião sobre um determinado tema onde o autor pode dar largas à sua imaginação e demonstrar o seu poder de criatividade literária; escrever história é relatar os factos que se viveram ou que por qualquer outro modo se teve conhecimento e contá-los aos leitores sem qualquer tipo de adulteração.
A responsabilidade pelos dados que sobre ela se fornecem é de longe mais pesada que escrever, defendendo ideias ou posições sobre qualquer outro assunto, dado ser, ou pretender que seja, a transmissão de acontecimentos verídicos vividos ao longo de uma existência, logo, ao tomar sobre mim este ónus, dei-me conta, passado pouco tempo, que viajava no desconhecido e que talvez me viesse a perder nos labirintos deste percurso do qual não sabia situar a meta.
Sei que quem escreve sobre o passado sem o viver, está sempre sujeito ou condicionado aos depoimentos alheios e apenas a partir destes pode construir uma história que se pretende seja fiel transmissora do acontecido, também sei, que ao invadir pela primeira vez esta área, não posso de maneira nenhuma fantasiar ou inserir lendas que possam adulterar ou desvirtuar um trabalho que se quer realista e responsável.
Devo dizer que não pretendo substituir o lugar do historiador que não sou, nem aspiro a ser, porque nem tenho o perfil nem a estatura literária adequada; sou um autodidacta o que no dizer de Mário Quintela significa “ignorante por conta própria” e foi ciente desse epíteto que me abalancei numa tal aventura.

Assim e face à minha própria incapacidade de investigação, haverá porventura neste trabalho, lacunas por preencher e interrogações a que não poderei dar resposta, fiz o melhor que pude, num esforço e desejo de transmitir o mais do que esteve ao meu alcance, e mais não fiz porque mais saber não tinha, sempre convencido de que se as coisas têm o valor que têm conforme de onde vêm; este trabalho será pobre como pobre o conhecimento do autor.
Não pretendo derrubar ideias ou conceitos tidos como credíveis, escrevendo a esmo, sem elementos documentados, mas tão-somente relatar factos ou situações, as possíveis, que ocorreram e dar uma visão aproximada, não só do passado mais recente ou remoto, mas também do tempo actual, e transmitir o que pessoalmente aceito como verdadeiro.
Devo ainda dizer que a história nunca estará completa enquanto houver alguém capaz de ir mais além na busca de um passado que por vezes teima em se manter ignorado, ou que, apesar de existente, permanece na obscuridade por desconhecimento ou desinteresse dos historiadores, a história escreve-se e reinscreve-se a cada dia que passa.
Dedico este trabalho a todos os Soitenses, de hoje e de todos os tempos bem como aos vindouros, para que saibam não só preservar a sua história, mas também promover o seu enriquecimento e engrandecimento.

Carlos Alberto da Conceição (Ti Carlos)

 
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