Em 1511 era abade de Santa Maria do Souto (Sabugal) Gonçalo Martins que trocou esta paróquia com Pêro Rodrigues recebendo em troca Lalim e Queimada o que foi autorizado por bula pontifícia. (à época e conforme os interesses materiais dos párocos era vulgar entre si a troca das paróquias.)
Ainda citando o mesmo autor no livro acima referido, diz acerca do Sabugal na página 423: “O Censual da Mitra do século XVI, regista três paróquias dentro da vila: São João, com as anexas da Nave e Lageoso; ( Lageosa?) São Miguel à qual estava unida a do Souto apesar de ser câmara do Bispo, e Santa Maria.”
E mais adiante: “os frutos da paróquia de Santa Maria do Souto, no valor de 80 mil reis, colhia-os João Alvares Pereira e deles pagava 20 ao Prelado.”
Também é certo que Santo Amaro foi durante indeterminado tempo uma anexa do Soito pois o recenseamento de 1940 ainda discrimina os dois povos: Santo Amaro 97 fogos, 438 habitantes sendo 217 varões e o Souto 519 fogos com 1993 habitantes, desses 967 eram varões)
Também Américo Costa no seu Dicionário Corografico, volume X pag 510 diz: “é composto pelos lugares seguintes: Santo Amaro e Souto”.
Em Junho de 1639 D. Miguel de Portugal convoca todos os párocos das Matrizes da Diocese para um Sínodo no qual tomou parte o Souto (apresentava o seu cura).
Após a Restauração da Independência e aquando das disputas fronteiriças então verificadas, diz J. M. Correia, referindo Portugal Restaurado, que “ os generais D. Sancho Manuel e D. Rodrigo de Castro se reuniram no Soito com as suas forças militares e daqui partiram para Alcântara com 400 cavalos e 250 infantes,” logo, é de presumir, ainda que a história o não diga, que entre estes soldados alguns seriam certamente Soitenses, fortes e destemidos como sempre foram.
Seria sensivelmente nesta época que o capitão Tolda, de que fala o Padre Hipólito e outros autores, fez os seus altos feitos pois foi considerado como que “o Nun’Álvares do Castelo de Alfaiates” e a sua trombeta ainda existia no Soito mais de um século depois da sua morte isto é em 1758, serviu portanto ao Rei D. Pedro II nas suas disputas com os espanhóis e foi considerado um herói.
Em 1758, a paróquia do Soito era composta por duzentos e vinte seis vizinhos, com um total de setecentas e vinte pessoas, já possuía Igreja Matriz e nove capelas entre as quais a da Misericórdia, o que dá a perceber, que à data, esta já estaria implantada na freguesia e já teria uma actividade de importância razoável. Teria o Soito já alguma história visto ter possuído um Forte no lugar que ainda hoje guarda esse nome, conforme consta na informação prestada pelo Cura de então: “Acha-se nesta terra um Forte muito antigo mas no presente está todo demolido.”
A crer nesta informação e nas que nos são dadas de modo isolado em vários documentos dispersos, facilmente aceitaremos a ideia de que o Soito tem raízes medievais, e que só não há vestígios que o atestem devido ao vandalismo e à barbárie, que se hoje existem, foram muito mais praticados pelas gerações que nos antecederam, quer através das lutas e guerras fronteiriças, quer através do saque e vandalismo perpetrados pelos invasores ou pelo simples prazer de destruição.
Segundo esta informação é de crer que o Forte fosse destruído por alturas das frequentes guerras fronteiriças que se seguiram à restauração da independência em que ora os de cá ora os de lá, retaliavam incendiando povos de um e de outro lado da fronteira, assim facilmente se conclui que a sua origem remontaria a época anterior à nacionalidade, pena é que tudo tenha desaparecido.
Ainda e segundo o pároco atrás referido, tinha o Soito já nessa altura, uma fábrica de panos de lã que embora artesanal produzia um total anual de mais de 33.000 metros (cinquenta mil côvados) o que de algum modo é confirmado pelos registos de óbito das mulheres da época nos quais o pároco refere bastas vezes a profissão de fiadeira e tecedeira.