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    UMA BREVE INTRODUÇÃO À HISTORIA DO SOITO
   


As memórias de um povo dependem desse mesmo povo e da sua capacidade em preservar os vestígios herdados dos seus ancestrais, é ele o povo, que escreve a sua história, o responsável pela transmissão e ligação do passado ao futuro.


Porque possui um solo dos mais ricos do Concelho e abundância de castanheiros, centenários é fácil de admitir que esta terra foi povoada desde épocas distantes, mas povoada por gente trabalhadora que por humilde não teve direito a constar na história, daí o presumível alheamento, ou esquecimento propositado, de alguns cronistas e historiadores em referir o nome da povoação.

O facto de se situar afastado da rota dos viajantes e dos caminhos reais por onde se deslocavam os negociantes e mercadores, os coches dos monarcas ou seus mensageiros, talvez tivesse sido uma das razões para este povo ser remetido à solidão e pacatez do seu ignorado canto embora aqui fossem produzidos em abundância alguns alimentos que iam saciar as gentes de outras terras menos abastadas ou produtivas.

Ainda no meu entender de leigo, penso que um simples lugarejo, como alguns pretendem que fosse ao atribuir-lhe um estatuto de menoridade histórica, jamais teria a capacidade financeira para construir nove capelas, referidas já em 1758, e sem querer entrar no âmbito do fantástico, podemos perfeitamente adivinhar que o Soito seria, já então, uma aldeia rica, com abundantes recursos agrícolas, de gente activa, ambiciosa, com ideias futuristas e com uma capacidade de iniciativa invejável não só a nível Concelhio mas até Distrital, daí a animosidade com que era, (ainda é?) olhada por outros povos menos empreendedores.
Se não há quem, ou algo, que possa provar a idade aproximada da fundação do Soito, também ninguém se pode arrogar no direito de aventar hipóteses de idade por simples palpite, e o facto de alguns historiadores, por mais credíveis que sejam, afirmarem, baseados em dados errados ou inventados, que o Soito era em princípios do Século XVIII, um pequeno povoado, não é, segundo vários documentos dispersos, uma opinião que se possa considerar absolutamente credível, porque contraria dados históricos existentes e bem fundamentados.
Quando a região de Riba Côa, da qual o Soito faz parte, passou para o domínio Português em 1297 através do Tratado de Alcanizes, continuou a mesma a fazer parte do Bispado da Ciudad Rodrigo até 1403 e foi daí que as paróquias foram governadas em termos religiosos durante mais de um século até que o Bispo de Lamego D. João Vicente conseguiu a desanexação do território o que foi confirmado por bula de Bonifácio IX a 5 de Julho de 1403, passando esta faixa de território a fazer parte da Diocese de Lamego até à criação da Diocese de Pinhel em 1769 ou 1770 para onde transitou até 1822 altura em que, extinta esta, foi incorporada na Diocese da Guarda à qual ainda hoje pertence.



Em 1341, o Soito (Souto) já constava na lista das Igrejas de Riba Côa no termo do Sabugal, (Sabugal, Vale de Espinho, Souto, Aldeia dos Freires, Caria Talaia, Vila Boa, Aldeia do Bispo e Quadrazais, num total de quinze Igrejas, incluindo Igrejas e Ermitanias ) que à altura pertenciam ao Bispado de Ciudad Rodrigo, algum tempo depois, exactamente a 3 de Junho de 1359, os juízes exactores reunidos na cidade da Guarda principiaram a taxar as Igrejas pertencentes ao dito Bispado que estavam dentro dos limites de Portugal, sendo então a Igreja de Santa Maria do Souto taxada em 10 libras.

A propósito, deve dizer-se que a então paróquia de Santa Maria do Souto, só mais tarde passaria a ter por padroeira Nossa Senhora da Conceição, cujo culto começou a generalizar-se a partir do século XIV depois do sínodo de Salamanca efectuado a 29 de Outubro de 1310 mas só em meados do século XVII (25/3/1646) depois de D. João IV a ter proclamado solenemente "padroeira dos nossos reinos e senhorios" esse culto se estendeu ás paróquias, possivelmente depois disso, também a paróquia de Santa Maria do Souto terá aderido ao movimento e acolheu Nossa Senhora da Conceição como sua padroeira.
Diz M. Gonçalves Pereira, em Historia do Bispado de Lamego, Livro II, página 15 reportando-se à primeira metade do século XVI: "Intitulavam-se «Câmaras do Bispo» as paróquias de Parada, São Domingos, Trevões, Canelas, Izivo (Azevo?) que pagava 1500 reis, Aveloso 2000, Bramador e Souto de Riba Côa."

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