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Cruzeiro de João d'Amores
Situado no lugar hoje conhecido como cruzamento de Nossa Senhora de Fátima, à direita de quem sai do Soito e quase indiscreto este cruzeiro recorda a morte de um jovem do Soito que namorava em Vila Boa e lá ia ver a namorada.
Diz a tradição que certa noite a mãe sonhou que os lobos estavam a atacar o filho e alertou o marido para o facto.
Nessa época e até aos anos sessenta do século passado, os rapazes dormiam na loja numa tarimba junto aos animais porque as temperaturas eram mais sopurtaveis e porque havia falta de espaço no assoalhado das pequenas casas, por isso o pai não desconfiou ao assomar-se pelo alçapão e vendo que sobre a cama estava um vulto que supostamente seria o filho.
Como o sonho persistisse e a mãe de novo acordasse aflita e instasse com o marido para fazer alguma coisa, este resolve descer à loja e descobre então que o vulto há pouco visto era apenas um pouco de palha, assustado pega no cavalo e corre velozmente pelo caminho de Vila Boa mas já era tarde e quando chega ao local apenas encontra as botas do filho.
Os terrenos envolventes oficialmente conhecidos como Jastais não impediram que a este lugar fosse dado o nome de "Castanheiros de João d'Amores" em memória de tão trágico acontecimento, mas o povo vai esquecendo o facto e desde há alguns anos, com a colocação de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima quase em frente, este nome está a substituir aquele que inevitavelmente passará ao esquecimento.
Cruzeiro do Calvário
Este é o mais antigo cruzeiro do Soito existente e consiste numa cruz em pedra cinzelada, encimada pelas inscrições INRI na parte mais superior e com uma caveira na parte inferior, está datado de 1714. Está situado no Calvário, no canto noroeste e dá a entender que foi ali colocado já depois da construção deste, possivelmente transferido do seu primitivo local, que podia ter sido aquele onde hoje está construído o actual Calvário, que será de construção posterior, talvez 1797, ano da construção da Via-sacra da qual restam metade dos nichos primitivos.
Cruzeiro do Ti Dora
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As disputas entre os habitantes do Soito e de Alfaiates pela posse de um pedaço de terra nos limites das duas paróquias eram frequentes e violentas por voltas do último quartel do século XIX.
Todos queriam arrotear uma leira para poderem cultivar numa altura em que a agricultura era a actividade principal e a única fonte de sustento para a maioria das pessoas, daí que os confrontos se transformassem em lutas e guerras e alguns assassínios de parte a parte.
Este cruzeiro continua a perpetuar na memória dos homens, que ali, na Marsoba, foi morto Manuel Lopes (Dora) de 28 anos, casado, eram 5 da tarde do dia três de Maio de 1888 conforme registo de óbito.
Cruzeiro da Francesa
O Cruzeiro da Francesa, situado na Marsoba no antigo caminho de Aldeia da Dona é datado de 1879: Consta que neste local foi morta uma cidadã Francesa que acompanhava as tropas do seu País aquando das invasões de 1810, e que ali estariam acampadas, talvez por estas terem saqueado o Soito, os seus habitantes revoltados as tivessem perseguido e vingado da afronta que sofreram.
Ora as invasões como se sabe, deram-se no começo do século, portanto cerca de setenta anos antes da data que nele está inscrita.
É possível que grande parte do património histórico do Soito fosse vandalizado ou destruído pelas tropas francesas que então aqui passaram e assim se perdessem para sempre
Cruzeiro do Ti José Augusto.
Eram tempos difíceis e para sobreviver, os cidadãos eram obrigados a sacrifícios hoje impensáveis.
Este homem José Augusto Ventura, que transportava azeite de Espanha para Portugal em odres sobre o seu cavalo como modo de vida para ganhar algum dinheiro suficiente para matar a fome aos seus, foi assassinado pelas balas da GNR do Soito no dia...de 1954 quando não acatou a ordem de parar, certo de que lhe confiscariam a mercadoria e o prejuízo seria grande.
Num país que foi na Europa o primeiro a abolir a pena de morte não deixa de ser contraditório este procedimento.
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